Temas genéricos - HOMENAGEM A RUI SEVERINO
Acidente com INEM ainda por esclarecer Homenagem a Rui Severino deverá juntar, no sábado, 1500 motards. Condutor da ambulância envolvida na colisão não teria carta apropriada 00h30m HUGO SILVA Uma homenagem ao jovem motociclista que morreu numa colisão com uma ambulância do INEM, em Agosto passado, deverá juntar cerca de 1500 motards. Os contornos do acidente continuam por esclarecer.
O processo está em averiguações. Segundo apurou o JN, o condutor da ambulância do INEM envolvida no acidente não tinha a carta adequada ao veículo. Mais um facto a juntar às muitas questões que continuam a revoltar a família de Rui Severino, que quer ver a situação totalmente esclarecida. "O meu filho foi morto. Não foi por culpa da velocidade, mas sim culpa de alguém que, atrás de um volante e sem as credenciais para a poder conduzir, passou conscientemente um semáforo vermelho e ainda se julga com prioridade. O resultado foi uma morte cedo de mais. Não só deixou uma família enlutada, como uma criança de quatro anos sem pai", escreve Manuel Severino, num apelo à participação na homenagem ao filho.
"Queremos, pacificamente, fazer uma chamada de atenção", explicou, ao JN. ""Queremos mostrar que em cima de uma moto vão filhos, pais, netos, advogados, médicos ou simples pessoas, com simples gostos, que merecem o mesmo respeito que outro qualquer ser humano. Pessoas que apenas têm um gosto em comum: as motos. Isso não faz delas criminosas ou vulgares cidadãos de segunda, como o INEM pretende demonstrar", escreveu, também, Manuel Severino.
A concentração está marcada para as 16 horas, junto à igreja de Cedofeita, nas imediações do local onde aconteceu o acidente. E onde os colegas de Rui, que hoje faria 23 anos, mantêm um pequeno memorial de homenagem. Do Porto, o desfile partirá rumo ao cemitério de Pedrouços, na Maia, onde Rui Severino foi sepultado. As câmaras do Porto e da Maia já deram a respectiva autorização.
Três meses depois do acidente, Manuel Severino continua revoltado. O caso está em fase de inquérito e Madalena de Lima, advogada da família, destaca uma série de questões que levantam muitas dúvidas. Pergunta por que não foi feito no local o teste de alcoolemia ao condutor da ambulância, por que razão o veículo terá sido desmantelado - "o motor foi para Lisboa" - e por que razão o tacógrafo indicava inicialmente que o veículo de emergência ia a 34 quilómetros/hora, mas depois já foi dado como avariado. A causídica garante, ainda, que várias testemunhas afirmam que a ambulância seguia a alta velocidade. Madalena de Lima acrescentou que enviou várias perguntas ao INEM sobre o sucedido, mas que ainda não obteve resposta. Manuel Severino queixou-se, ainda, da falta de apoio à família por parte daquela instituição.
"A PSP tomou conta da ocorrência. O processo está a decorrer em sede de Justiça e, enquanto não estiver concluído, não podemos pronunciar-nos", observou, ao JN, fonte oficial do INEM. A mesma fonte salvaguardou, contudo, que a ambulância em causa não foi desmantelada, até porque o processo está em curso. Quanto às critícas sobre a alegada falta de apoio, explicou que a família foi apoiada pela equipa de psicólogos do INEM, que até esteve presente no funeral.
O acidente ocorreu no dia 9 de Agosto, no cruzamento das ruas de Aníbal Cunha com Sacadura Cabral. A ambulância, em marcha de emergência, passou um vermelho e o motociclista embateu no veículo do INEM. Rui Severino morreu no local do embate.
TU QUE ANDAS DE MOTA JUNTATA A NOZ
MANUEL SEVERINO, 2008-11-13 |